ago 25 06:06 SEG Um país que cai e chora

Categorias: Brasil, Olimpíada 2008, Opinião do leitor
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Sou tomado de profunda melancolia ao contemplar o desempenho do Brasil nas Olimpíadas… e constatar nossa colocação no quadro de medalhas…comparar nosso país com os países que estão à nossa frente.

Fico triste ao ver que na nossa seleção olímpica de futebol existem jogadores que ganham milhões e milhões de dólares, enquanto representantes do nosso judô choram e são humilhados por não ter dinheiro para pagar o exame de faixa preta.

Fico irado ao ver o Galvão Bueno, nas transmissões da Globo, enaltecer delirantemente ‘o gênio mágico’ do ‘fenômeno’ Phelps, nadador norte-americano… e não falar no mesmo tom do nosso nadador Cielo, este sim, um fenômeno. Fenômeno porque treinou seis horas por dia nos três últimos anos, numa cidade do interior dos EUA, sustentado pelos próprios pais e pela generosidade de alguns amigos, pois não recebe um auxílio oficial.

Fico depressivo ao contemplar na TV nossas minguadas medalhas de bronze.
E fico pensando que, de cada mega-sena e outras loterias oficiais, o governo paga apenas 30 % do arrecado ao ganhador e propaga que os outros 70 % são destinados a isso ou aquilo, sem que a gente possa fiscalizar com nitidez essa aplicação.

Estou por completar 66 anos. E desde pequenino tem sido assim. Lembro do Ademar Ferreira da Silva, nosso bicampeão olímpico do salto tríplice que foi competir tuberculoso!

E jamais me sairá da mente o olhar de estupor de Diego Hipólito caindo de bunda no chão no final da sua apresentação, quando por infelicidade e questão de dois segundos deixou de subir ao pódio. E de suas lágrimas pedindo desculpas, quando ele não tem culpa de nada. Das lágrimas de outros atletas brasileiras dizendo que não deu. Pedindo desculpas aos familiares e ao povo.
Meus Deus!

Será que vou morrer vendo um povo que só chora e pede desculpas?
Será que vou morrer num país que se estatela de bunda no chão, enquanto os políticos roubam descadaradamente e as CPIs não dão em nada?

Será que vou morrer num país que se contenta com o assistencialismo e o paternalismo oficiais, um povo que vende seu voto por bolsa-família e por receber um botijão de gás de esmola por mês?
Até quando, meu Deus?
(autor: James Pizarro)

Por: Edson Lima

ago 21 10:37 QUI Brasil x EUA

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Finalzinho do primeiro tempo em Pequim, o Brasil vai empatando com os Estados Unidos na decisão do futebol feminino - valendo medalha de ouro.

Eu acho que o Brasil tá jogando melhor.

*10h46 - intervalo

*30 minutos do segundo tempo. Continua 0 a 0 e o Brasil jogando melhor, mas não faz gol. E a gente sabe que quem não faz…

*31 minutos. A Rede Globo cortou o jogo para mostrar salto de cavalo, esporte de rico. Meu Deus…

*O tempo regulamentar terminou empatado. Começou a prorrogação. Ai, ai, ai..

*Seis minutos: Os Estados Unidos acabam de fazer seu gol. Não disse que quem não faz toma? Mas, ainda temos esperanças.

12h11: Final do primeiro tempo da prorrogação. O Brasil tem mais 15 minutos para fazer um gol pelo menos e levar esta degrasceira para os pênaltis.

9 minutos: Marta quase fez um gol de falta. Ela olhou para o céu e perguntou: “O que fiz de errado?” A melhor jogadora do mundo perdeu três chances de gol.

12h29: FIM DO JOGO: As feiosas americanas festejam a conquista da medalha de ouro. As meninas brasileiras choram. Não merecem ser criticadas. Jogaram muito, mostraram muita raça, amor à camisa - ao contrário dos homens do Dunga. É uma pena. Valeu a medalha de prata.

***Somente a leitora Paula acertou o resultado. Ela deve vir na recepção da Rádio Cultura AM, junto a O Diário, na avenida Mauá 1.988, amanhã e pegar seu vale-feijoada. Grato a todos que deram palpites.

Por: Edson Lima

abr 24 14:51 QUI Brasil: contrastes alarmantes

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Opinião do leitor Paulo Vergueiro.

Somos uma pátria de contrastes alarmantes e constrangedores para não dizer revoltantes.

A lógica deste Brasil permite uma policia com dezenas de homens, os mais caros e graduados, na busca técnica do esclarecimento de um crime brutal é verdade, mas corriqueiro pela vitima (uma criança indefesa) neste país.

Apóia e promove as buscas a um sujeito irresponsável, quase insano que se atreve a um ato de loucura que acaba ao fim não dando certo.

Ao mesmo tempo e no mesmo palco desta vida, dezenas de outras crianças são violentadas, mortas ou simplesmente agredidas e esta mesma lógica de preocupação as causas sociais não move sequer uma palha, com a desculpa criminosa de falta de recursos para o enfrentamento da questão.

Ao se buscar proteção nas “policias” de todo este Brasil não é incomum ouvir da incapacidade de locomoção ora por falta de viatura, combustível, pessoal ou mesmo tempo.

Hoje quando as buscas pelo ar se encerraram em Santa Catarina se contabilizava em torno de 300 homens envolvidos, 5 aeronaves, 2 navios dezenas de barcos, comunicação e toda logística necessária para o evento.

Neste mesmo Brasil não se corre atrás de uma criança desaparecida por falta de gente!

Diante da contrariedade de valores pergunto: que Brasil é esse que uma Isabella loirinha e rica tem mais importância que qualquer outra criança? (não que ela não mereça à atenção que esta tendo.), que padre é esse que merece tanta atenção num instante em que temos centenas de caminhoneiros, pescadores e diversas pessoas desaparecidas misteriosamente?

Quando se olha para dentro desta nação e vemos tanta riqueza e tanta pobreza; pergunto: é o capitalismo o vilão? Ou seria a ganância e desinteresse da própria sociedade pelas questões sociais?

Mais do que o crime ou o desaparecimento do padre o que nos afronta é o desnivelamento da atenção as causas.

Por que este povo é tão abandonado? Por que as questões sociais são tão desvalorizadas?
Por que os “jornais nacionais” que materializam o comportamento da mídia brasileira não esta dando o mesmo destaque destes episódios ao absurdo de sermos ameaçados pela falta de arroz, trigo…

Um país onde seu Presidente age como se estivesse na Suíça, que esta prestes a não ter arroz no almoço e pãozinho no café!!!!!

E a culpa certamente recaíra sobre a imprensa que noticia ou sobre algum idiota, mas que esteja de plantão para arcar com mais este ato criminoso.

Não seria à hora desta sociedade rever seus valores, conceitos e estabelecer uma nova verdade pelo menos através do voto que se aproxima?
Acho que já passou da hora!

Como otimista que sou e esperançoso em ver este meu/nosso Brasil ter suas causas sociais respeitadas continuo a viver.

Continuo a lutar, ainda que a indignação para com os brasileiros que comandam brasileiros cresça a cada dia. (Paulo Vergueiro)

Por: Edson Lima

abr 18 13:51 SEX Por que o “caso Isabella” comove tanto?

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Por Álvaro Torres, historiador e jornalista

O que me chamou a atenção, logo no início desta novela macabra, foi o nome e a idade da criança: Isabella, 5 anos. Minha filha chama-se Isabela — com um “l” só — e tem 6 anos. A primeira providência foi protegê-la do noticiário sobre este crime hediondo — o que não a impediu de me perguntar se eu teria coragem de jogá-la do prédio.

Por que o “caso Isabella” comove tanto? Casos assim, nauseantes, ocorrem com muito mais freqüência do que gostaríamos. Aconteceu com Márcia Andréia Prado Constantino, de 10 anos, raptada, estuprada e estrangulada aqui em Maringá. Aconteceu com a menina Miriam Brandão, de 5 anos, esquartejada, queimada e enterrada pelo seu seqüestrador em dezembro de 1992. Aconteceu também com outra menina, Aracelli Crespo, de 9 anos, em maio de 1973, raptada, torturada, morta e corroída com ácido.

Quem não se pôs no lugar da menina? Quem não se pôs no lugar dos pais, dos irmãos, da mãe? Quem não se sentiu, pelo menos por uma fração de segundo, como se Isabella Oliveira Nardoni fosse sua filha? Qual pai de uma criança que, como eu, não se sentiu acuado pelo tom da cobertura do caso na mídia? Talvez tenha sido isso o que Jesus Cristo ensinou quando disse: “Amai o próximo como a ti mesmo!” Ou o que Che Guevara expressou na célebre frase: “Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros.” Isabella unificou uma nação de 180 milhões de pessoas num único sentimento. A comoção nacional é justa, legítima e reveladora.

Mas é preciso fazer outra pergunta: será que o mesmo aconteceria caso Alexandre Nardoni fosse um pedreiro desempregado, morasse numa favela e não no 6º andar do Edifício London? Uma das testemunhas, um advogado morador do prédio em frente, apareceu na TV Globo dizendo: “A menina não representava perigo a ninguém”.

Então é isso? Quando morre um pretinho desafortunado ninguém se comove porque ele pode representar perigo quando crescer? É o mal que se corta pela raiz?

O “Bom dia Brasil”, da TV Globo, na quarta-feira (16) deixou escapar que torce para que o caso se estenda ao máximo. E apelou para o argumento macabro de que no dia 18 Isabella completaria seis anos. “Não seria de bom tom no dia de seu aniversário divulgar o laudo final?”, indagou a presentadora. Impedida de exprimir emoções, ela disse uma única frase: “Que caso triste!” E emendou com a notícia de uma festa de premiação do cinema. Entraram imagens de gente sorrindo e, entre os grandes campeões, estava o filme “Tropa de Elite” — é claro.

Discordo de quem, simploriamente, classifica esse filme de fascista.Fascista é a sociedade em que vivemos. O filme é só um retrato dela. Nas palavras de Paul Sartre, o importante não é o que fizeram de nós, mas aquilo que fazemos com o que fizeram de nós. Ou seja: a civilização recisa do Estado de Direito, encarregado pela sociedade de punir os crimes. O Estado não pode funcionar pelo impulso de um momento de dor ou de revolta. Será que alguém mais vem lucrando com esta cobertura, além da mídia e das empresas que vendem grades para janela?

Por: Edson Lima