A morte da garota Eloá Cristina - que deu, e vai continuar dando, um monte de audiência às emissoras de televisão - mostrou uma sucessão de erros, que culminaram na tragédia.
A polícia errou várias vezes. A imprensa também. Assim como no caso Isabella Nardoni, os programas sensacionalistas nas televisões deitaram e rolaram. A ordem era mostrar tudo, ganhar audiência.
Segundo a coluna Zapping, da Folha de S.Paulo, Datena, da Band, ficou irritado porque a Record entrevistou, ontem, no “SP Record”, o pai da adolescente Eloá, acusado de homicídios. “É um jornalismo irresponsável, uma emissora irresponsável, que fala com bandido e acoberta um foragido da Justiça. O Ministério Público deveria ver isso. É imoral, ilegal. Nem na porta desta emissora eu passo mais, afirmou Datena, ao vivo, aos berros. E ainda acusou a Record de atrapalhar a negociação da polícia ao entrevistar também o seqüestrador Lindemberg, na semana passada.
*O cara tava lá dentro assistindo as reportagens dos programas de televisão. Acompanhava tudo, inclusive as entrevistas dadas por policiais e os “peritos” em sequestros com reféns - que sempre aparecem nessas horas pra dar palpites errados. O humor do Lindemberg dependia do que ele via.
*Enfim, uma cascata de pisadas na bola.
A imprensa, ao dar enorme destaque para este tipo de evento policial, contribui para final trágico e incentiva que outros malucos façam o mesmo. Em Apucarana dois adolescentes sequestraram um outro, de apenas 11 anos, anteontem. Pelo jeito, queriam ficar “famosos” também.